O senso crítico começa no desconforto de uma leitura.

O senso crítico termina no cansaço mental. Na exaustão do trabalho, na canseira da vida acadêmica, na fadiga digital, na falta de energia em evoluir, na árdua tarefa de existir.

Evitar o desconforto é a chave para sobreviver, mandar para dentro o remédio azul da ignorância abençoada e descartar a pilula vermelha da verdade dolorida.

O senso crítico termina no loop infinito de descer o feed do instagram, absorver a vida alheia e concluir que a sua não é boa o suficiente, não tem talento o suficiente, não tem momentos felizes o suficiente, não tem um parceiro estéticamente suficiente, não tem comida saborosa o suficiente, não tem uma câmera boa o suficiente.

A vida não é o que se compartilha nas redes sociais, a vida é exatamente aquilo que não se ousa compartilhar.
– Lua Teles Pacheco

Evitar as legendas longas, ler todas as curtas. Curtir tudo que te agrada superficialmente mas que não te agrega colateralmente.

A cabeça reativa absorve e processa, mas não questiona, não prevalece. A cabeça reativa absorve o comportamento alheio, a opinião difusa e o princípio fraco. Veste eles como referência e os adota na causa de existir. A cabeça reativa vive no senso comum e evita a dificuldade do pensar e refletir.

Se o Trump negou a sua derrota nas eleições até o fim, eu também posso negar as minhas derrotas na vida, se o meu amigo curte trair, talvez seja legal. Se a faculdade ensina uma profissão, talvez não tenha outra maneira de aprender ela. Se o Bolsonaro engana as massas, talvez não seja tão dificil assim mentir. Se o Jornal Nacional conta uma notícia, é por que ela é verdadeira e imparcial.

O senso crítico começa se você chegou até aqui e discordou do que foi falado. Um artigo de opinião carece de fontes e exige do leitor uma posição, se o que está sendo dito faz sentido ou não. O senso crítico se desenvolve na argumentação e termina no caos e conflito de ideias, mas da a luz para uma nova forma de pensar, uma maneira crítica de filtrar, uma metodologia para relativizar.

A cabeça proativa se responsabiliza pelas próprias escolhas. A cabeça proativa descobre e questiona, nega as ideias pre-estabelecidas e busca um sentido racional para determinadas coisas.

O seu desejo de mudar deve ser maior do que o seu desejo de permanecer o mesmo.

– Anônimo

Mediocridade. Não tem nada errado em ser comum, o problema está em trilhar um caminho que não é seu, o caminho induzido a compartilhar padrões, a falta de identidade própria e o arrependimento. Arrependimento de ter sido influenciado por quem não sabe o que está fazendo.

Afinal, quem sabe?

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